Vetores de Reconstrução: Saúde Mental e Trajetórias de Recuperação após um Trauma Coletivo
Comparação da frequência de rastreio positivo de sintomas psicológicos ao longo das fases do estudo (de T1/Tempo Real a 24 Meses), nesta coorte.
Os dados sugerem que, após o pico inicial dos sintomas transversais, há uma estabilização em patamar persistente. Entre 27.7% [PI: conferir] (corte conservador de 38) e 37.6% (corte de triagem de 31) da coorte permaneciam com rastreio positivo para TEPT provável (PCL-5) cerca de 2 anos após o desastre climático — rastreio, não diagnóstico; nesta coorte; resultados preliminares.
Como o mecanismo de defesa de esquiva prolonga o sofrimento pós-traumático.
Existe uma associação linear e forte entre os escores de Evitação (esforçar-se para evitar pensamentos, locais e conversas) e os demais sintomas de trauma (revivência, hiperativação e alterações cognitivas).
Nesta coorte, pessoas com evitação máxima (escore 4) apresentaram, em média, escores de outros sintomas de trauma cerca de 4 vezes maiores do que aquelas com evitação mínima — associação transversal, não relação de causa e efeito.
Frequência de rastreio positivo para TEPT provável entre quem percebeu e quem não percebeu rede de apoio efetiva para lidar com o desastre, nesta coorte.
Ter uma rede de apoio ativa e efetiva esteve associado a menor frequência de TEPT provável nesta coorte, de forma consistente entre os pontos de corte de rastreio (diferença de aproximadamente 15 pontos percentuais). No ponto de corte conservador de 38, a frequência foi de 42.6% [PI: conferir] entre quem não percebeu apoio efetivo versus 27.6% entre quem percebeu — associação, não causa; amostra de conveniência; dados preliminares.
Distribuição de fatores de risco objetivos entre indivíduos de gravidade Leve (PCL-5 < 31), Moderada (31-37) e Grave (PCL-5 ≥ 38).
Nesta coorte, fatores de exposição material foram mais frequentes entre quem apresentou maior gravidade de sintomas. Por exemplo, a perda total de moradia e bens esteve presente em 7.7% do grupo de gravidade grave versus 1.4% do grupo de baixa gravidade (proporção cerca de 5x maior nesta comparação); o contato com a água da enchente em 28.9% versus 9.9% (cerca de 3x). São associações transversais nesta coorte (amostra de conveniência, dados preliminares), não relação de causa e efeito.
"Clinicamente, vemos que o cluster de evitação mantém os sintomas de trauma ativos ao bloquear a integração da experiência. Por outro lado, as relações interpessoais, a solidariedade e a percepção de apoio e segurança — a sensação de pertencer à 'tribo' e poder contar com o outro — são os verdadeiros pilares protetores. A força da nossa comunidade é o farol que aponta a trajetória de reconstrução e resiliência pós-desastre."